crônica, inspiração

o reflexo no espelho nosso de cada dia…

Todos os dias ao acordar você se depara com um alguém do seu outro lado quando se olha, o seu próprio reflexo no espelho. Você realmente gosta daquilo que vê?

Somos tão bombardeados diariamente por informações sobre beleza, pele, cabelos, roupas…Tantas dicas, tantas tutorias, tantos “o que fazer, como fazer”… Que dá até preguiça, né? Ser politicamente correto, aceito e estar dentro dos padrões, mas quais padrões? Já questionei sobre isto aqui antes.

Somos o que somos, simples assim! Por que precisamos sempre agradar? Somos aquilo que enxergamos no espelho, queira ou não! Com defeitos ou qualidades, com seu próprio corpo, ou cabelo ou tom de pele.

Um dos principais dramas da sociedade atual é a própria aceitação e a do próximo, geralmente com quem convivemos. Estamos sempre querendo mudar alguma coisinha…

Temos que aceitar as diferenças!

Por isso quando conheci o trabalho deste artista adorei e estou compartilhando. Francesc Planes, 22 anos, fotógrafo, da Espanha. Ele resolveu questionar estes padrões em uma série fotográfica chamada Normal.

Através das sua lentes, ele mostra a beleza de pessoas comuns, que já sofreram bullying por conta de alguma “diferença”, ao expor corpos que, na teoria, não se encaixam nos padrões de beleza atuais. De uma maneira simples e direta, de uma forma pura, sem intervenções. O seu objetivo principal é celebrar aquilo que não é considerado “normal” e mostrar que a realidade também tem a sua beleza singular e original.

Pra mim foi inspirador!

Confira as fotos e um pouco do trabalho de Francesc Planes.

Alba Parejo nasceu com mais de 500 pintas e pelos amarronzados por todo o seu corpo.”Meu ex-namorado disse para eu não mostrar minhas costas para ninguém, porque ninguém quer ter uma namorada deformada”.

Jordi teve seu olho removido quando era criança, por conta de um tumor que crescia atrás dele. Hoje, ele usa uma prótese no lugar do olho perdido.

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Guille sofria bullying por ter alopécia.

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Tess era chamada de “baleia”.

Acredite no seu poder e na sua beleza. Todos somos diferentes uns dos outros. E isto é o que nos torna únicos!

fotos/legendas: reprodução/Francesc Planes

LKV

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crônica

gosta de tatoos?

Estamos no século XXI mas muitos dos nossos conceitos ainda estão nos séculos passados. Mesmo tendo uma gigantesca evolução em áreas como a ciência e a tecnologia, em outras ainda continuamos engatinhando. Principalmente no que diz respeito ao comportamento do ser humano. Em geral, a maioria da população mundial tem restrições quanto às mudanças relativas ao convívio e à aparência. Vivemos uma ditadura quanto aos padrões de beleza e quem não consegue se encaixar segue sua vida à margem.

reprodução
reprodução

Falando especificamente em relação às tatuagens, pode se perceber que ainda existem muitas restrições e olhares preconceituosos a quem possui este tipo de visual. Sem fazer apologias, porque não tenho tatuagem mesmo! Mas sou contra esse olhar preconceituoso que limita as pessoas, emburrece, a ponto de acharem que, alguém é ou não é….., porque tem uma tatuagem.

Lendo um pouco da história, dá pra ver que tatoos já existem há muito tempo. Há muitas provas arqueológicas que afirmam que tatuagens foram feitas no Egito entre 4000 e 2000 a.C. e também por nativos da Polinésia, Indonésia e Nova Zelândia, em rituais religiosos. Durante a Idade Média, a igreja católica proibiu a tatuagem na Europa, pois era considerada uma prática de vandalismo ao próprio corpo. Hoje, porém, ganhou status de arte e as pessoas fazem uma tatuagem para se diferenciar das outras, exibindo o seu corpo como forma de expressão artística.

O problema é quando esse fato torna-se mais importante do que a pessoa, transformando um potencial em algo negativo. Não só o que diz respeito às relações humanas, mas nas questões práticas, como no local de trabalho por exemplo. Alguns locais mais tradicionais, ainda não aceitam pessoas muito tatuadas, e isto é fato.

A tatuagem é só mais uma característica da personalidade e não deve atrapalhar. Ou pelo menos não deveria. Como muitos outros diferenciais que possuímos, como: tipo de cabelos, cor dos olhos, pele, altura, tipo físico ou personalidade….o que nos distingue uns dos outros. Somos diferentes, ainda bem! Não teria a menor graça se todos fossem iguais. Hoje, mais do que nunca, as pessoas tem essa mania de querer sempre enquadrar todo mundo dentro de um padrão. Como bonecos de plástico dentro de caixas e sem emoções!  E se você não se encaixa, está fora?

LKV

*(este post já foi publicado aqui no blog)
crônica

estamos no caminho certo?

Vivemos tempos de transformações. Estamos em busca de algo mais concreto para preencher o vazio que corrompe a nossa felicidade. Não se trata de um texto de autoajuda, mas de um questionamento. Do entendimento do comportamento coletivo. Será que conseguimos chegar aonde desejávamos?

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by patmikemckane

O século XX foi marcado por grandes feitos da humanidade, sem dúvidas, evoluímos muito em todas as áreas. Principalmente no que diz respeito ao conhecimento científico. Vivemos em um mundo altamente digital. Embora ainda existam milhões de pessoas que morrem de fome todos os dias. O que faz pensar: estamos no caminho certo?

A partir da década de 60, do século passado, houve um alto índice de migração da zona rural para a área urbana. O êxodo rural trouxe as pessoas à procura de uma vida melhor e mais qualificada para as grandes cidades. Com o passar dos anos e todo o progresso que vivemos, escolhemos viver uma vida caótica nos grandes centros urbanos. Trabalhamos horas para ganhar mais, para dar uma vida melhor para os nossos filhos. Compramos casas e carros financiados a longo prazo. Criamos lugares especializados na venda de quase tudo. Estamos sempre consumindo alguma coisa. Tentando ter mais para sermos mais felizes. Será? Conseguimos chegar lá, ou está faltando algo a mais? O que realmente encontramos quando nos deparamos com o que existe de mais profundo dentro de nós?

A felicidade plástica que é exibida nas redes sociais não está no nosso íntimo. A vida virtual esconde graves problemas sociais e emocionais que acontece no mundo inteiro. Tragédias humanas provocadas por nós mesmos. Em todos os cantos vemos infortúnios acontecendo.

Para aliviar, escolhemos fugir. Em busca do paraíso.

Mas, agora esta opção está se tornando uma realidade. Já existe um considerável número de pessoas almejando viver uma vida mais simples. Uma demanda contrária ao que já vivemos, um êxodo urbano. Um movimento contrário. Ainda pequeno, porém com uma consciência que tenta contagiar pela pura e simples felicidade. Ter tempo de verdade para o que realmente importa na vida. Agradar a si mesmo e aos que estão ao seu redor. Viver plenamente. Simplesmente. Sem tantos excessos.

Com certeza não podemos viver mais sem um wi-fi, mas é óbvio que a tecnologia está aí para ajudar, principalmente, na interação com as pessoas, e por exemplo, na área profissional. Este amparo serve para contribuir.

Muitas pessoas estão se mudando para lugares menores, cidades no campo, balneários, locais na serra, eco comunidades. Lugares não faltam! A necessidade do convívio com a natureza traz o preenchimento do que estava faltando. O ser humano se sente realizado. Na verdade é a caça da sua essência. A essência que está latente dentro de nós, a mais pura, original, selvagem.

A resposta para todas as nossas questões, talvez seja difícil encontrar, o caminho deve ser por aí. Reconectar-se. Encontrar através do meio ambiente a nossa própria raiz. Completar o deserto interior com a imensidão que o universo nos proporciona diariamente.

LKV

fotos: Pixabay
*(este texto já foi publicado aqui no blog)
crônica, moda

por um olhar mais complacente sobre o fashion design

by pexels
by Pexels

Pode-se pensar que o design de moda é um simples acessório. Respeitável engano. O fashion design é mais importante do que pensam as mais simples cabeças que escolhem qualquer roupinha básica para sair de casa todos os dias.

A maioria das pessoas tem uma visão um tanto quanto crítica e ácida sobre o design de moda. Aqui ou lá fora, tanto faz, parece sempre que a moda lida com coisas banais, fúteis e superficiais. Não é para assumir uma postura parcial diante do assunto, nem pra defender um ponto de vista, mas para tentar abrir a mente de pessoas que tem a capacidade e inteligência de enxergar o fashion design além do fast fashion, das grandes maisons, da enxurrada de coleções anuais, ou das simples modinhas.

Lógico que a indústria da moda é poderosa no mundo todo, move bilhões de dólares, de pessoas e de interesses, para estar de pé. Nem sempre de uma maneira politicamente correta, assim como todas as outras indústrias; como a automobilística, de alimentos, a farmacêutica, ou de tecnologia. Ok, tirando o lado prático, vamos ao que interessa!

by geralt
by Geralt

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o design de moda “ditado” pelas grandes grifes, vem das ruas. Sim, isso mesmo! Trata-se de um estudo de comportamento e de tendências, que são realizados através de bureau de tendências e pessoas que captam o inconsciente coletivo. Através do estudo do comportamento humano, do que está se falando, sentindo, comendo, visualizando, ouvindo ou fazendo, pesquisadores espalhados pelo mundo tem o poder de abrir suas anteninhas para captar e processar o que vamos querer para o futuro. Que cores serão mais escolhidas, quais acessórios serão mais usados e que roupas serão mais desejadas. Ou seja, de maneira geral, tudo que está ligado ao fashion design vem da nossa própria vontade. De uma intenção latente que existe em nós mesmos e que ainda nem sonhamos em descobrir.

O fashion design é inerente ao sentimento de cada pessoa, por isso é subjetivo e se apresenta de maneira diferenciada em cada um de nós. O que não se pode fazer é ignorar que se trata da representação daquilo que exprime a essência do anseio das pessoas.

Pode estar certo de que ao fazer a opção de um determinado design de moda, escolhe-se também pela própria satisfação e mais do que tudo pelo próprio prazer.

fotos:Pixabay

LKV