moda é arte?

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Frequentemente se ouve esta pergunta por aí, afinal moda também é uma forma de arte?
Se você for pesquisar o significado de arte vai encontrar que se trata de uma atividade humana ligada a uma ideia ou emoção que estimula a consciência. Para a filosofia, é uma expressão do mundo imaterial projetada no material. Acreditando que para essa função o ser humano utiliza da sua criatividade podemos dizer que sim, moda também é uma arte.

Não a indústria da moda em si, as tendências criadas, a moda fast fashion, aquele básico que usamos no nosso cotidiano. A isto podemos chamar de vestuário, que tem a função de proteger o corpo, aquecer e também de enfeitar, ornar.

Mas falando de grandes criadores, designers que fazem a diferença e que realmente criam mudanças, que podem ou não, ser absorvidos pela grande indústria. Os designers de moda, grandes nomes, são poucos e raros, só que fazem a diferença. Eles usam seu próprio processo de criação, desenvolvem um projeto, são envolvidos com várias formas de arte, como o cinema ou a música. Também fazem parte de uma fábrica de criatividade e ilusão.

elsa-designs (1)-thumb-2088x544-142741Elsa Schiaparelli foi uma mulher que se destacou por sua ousadia e excentricidade. Foi responsável pela criação de peças únicas e revolucionárias. Ligada a Salvador Dalí ela conseguiu representar um pouco do surrealismo na moda. O chapéu-sapato, a bolsa em forma de telefone, o chapéu-cérebro são obras suas. A sua coleção Arlequim, foi inspirada na commedia dell’art, já a coleção Pagã reproduziu ninfas saídas diretamente de Boticelli.

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John Galliano é outro nome de destaque. Ousado e excêntrico, levantou novamente a Maison Dior, com toda a sua criatividade, e arte! Sim porque sua alta-costura é cheia de referências e original como uma obra de arte.

Gostar ou não é uma questão pessoal. O fato é que a moda também pode ser considerada arte, ser vista com originalidade e transgredir a sua função. Afinal, filosoficamente, a arte é intuição, inspiração, satisfação. Moda também.

LKV

fotos:reprodução
*(este post já foi publicado aqui no blog)

qual o seu sonho de consumo?

download (1)Esta ainda continua sendo uma pergunta frequente entre muitos de nós. São tantos sonhos: uma casa, um carro, uma joia, uma roupa de grife, uma viagem perfeita. Temos a necessidade de sonhar com alguma coisa para comprar. Comprar um sonho, que se materializa quando se torna palpável, sonho realizado traz felicidade, ser feliz momentaneamente e sonhar com mais alguma coisa para consumir. Ei pera aí, mas felicidade também se compra? Aonde? Em uma loja ou em uma farmácia?

Ao que parece, a felicidade é um produto intangível. A sociedade acredita que podemos sempre consumir felicidade em pequenas doses, com coisas e coisinhas a serem compradas. E conseguimos chegar aonde chegamos. Uma sociedade excessivamente consumista que foi adestrada para consumir, consumir, consumir e que através deste padrão seria feliz.

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Mas a realidade é bem diferente do sonho que nos foi vendido.

O mundo atual não suporta mais tanto excesso, tanta produção industrial, tanto lixo fabricado. Estamos em colapso. Existe a necessidade urgente de uma mudança de comportamento. Por quê? Para sobrevivermos em um futuro próximo. Menos é mais passou a ser a tendência da vez.

Uma das grandes colaboradoras deste processo consumista é a indústria da moda. A fada-madrinha que pode transformar sonho em realidade. Uma efêmera usina de criações mirabolantes na qual o mais importante é o consumo imediato e desnecessário. Criadora da ilusão do glamour e do luxo como fonte de desejo da maioria dos mortais que querem ser incluídos e ter status.

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Ainda sob essa visão antiquada, a indústria fashion consegue arrebatar milhões de pessoas no mundo, tendo como protagonista o consumismo. A felicidade torna-se possível, acessível e ainda, pode ser dividida no cartão de crédito. A estrela desta moda é o fast fashion, democrática e atualizada, pode ser comprada por qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta, o que se desfila nas passarelas mais chiques das marcas mais famosas das cidades mais badaladas do mundo.

images (1)Conhecida pela produção em larga escala, mão de obra altamente explorada (até mesmo escrava), e reprodução do design de grandes estilistas. Também é sinônimo de uma moda descartável, essencialmente acessível, com preços módicos. O que nos leva a um consumo desenfreado. Quem nunca? Quantas vezes já compramos alguma coisa em liquidação sem nunca ter precisado e consequentemente, pior, nunca ter usado. Será que você também não tem alguma peça de fast fashion, novinha ainda com a etiqueta, aí no seu guarda-roupa?

“É uma moda que dura pouco, principalmente na vitrine. A loja se abastece de novidades semanalmente. Trabalham com estoque pequeno e muita diversidade de modelos, criando a sensação de que você precisa comprar a roupa já, porque ela vai acabar. E acaba mesmo.” Enrico Cietta, economista italiano, autor do livro ”a revolução do fast fashion”

Uma moda feita para não sobreviver, para banalizar. Em um pequeno espaço de tempo, um abastecimento de novidades e escalonada de cima para baixo, ou seja, reprodução de grandes marcas. Roupa sem um contexto.

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Mas a moda já nos ensinou que é um movimento que vem das ruas, não o contrário.

E nesta onda cresce o slow fashion, sinônimo de escolhas conscientes, avessa aos excessos. Este novo conceito surge como um alento para quem já tem uma percepção diferenciada de comportamento, uma nova mentalidade e cria uma perspectiva positiva em relação ao futuro. O significado é o contrário do que praticamos, ou seja, diminuir o consumo, evitar demasias, desacelerar o ritmo.

A intenção é fazer melhores escolhas! Ter um ponto de vista diferenciado sob a indústria da moda; onde a integridade do meio ambiente esteja garantida, onde se construa uma relação mais justa com a parcela que executa a produção, onde se possa ter um olhar para o “local”, e onde se possa ter a geração de novas alternativas de consumo.

O objetivo é transmutar o raciocínio, despertar a consciência para o novo. Ter o conhecimento dos impactos negativos que o consumismo gera para o planeta. Ter a percepção, de que, quem compra também tem responsabilidade por aquilo que consome. Ter um consumo objetivo e reduzido.

Impossível? Com certeza não!

Existem profissionais criativos que acreditam nesta nova plataforma e agem de acordo com o slow fashion. Aqui no Brasil e fora dele, há muitos exemplos e nomes de respeito a serem seguidos.

“Buy less, choose well, make it last.” Vivienne Westwood

A inclinação do comportamento coletivo é o de começar a repensar seus atos consumistas; seu compromisso com a origem de um produto, durabilidade e descarte; sua necessidade de possuir o que realmente precisa; e sua capacidade de restaurar algo já utilizado. A partir desse novo raciocínio surge uma nova fonte de pensamentos de uma sociedade que quer fazer algo novo e diferente do que tem sido feito.

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Parece algo difícil de imaginar, mas pequenos e importantes grupos estão começando a realizar suas criações de um modo sustentável e menos nocivo. Percebendo essas movimentações o mercado terá que se adaptar ao novo. O consumidor é quem vai estabelecer esses novos padrões, a partir do momento que informar-se, reivindicar uma cadeia produtiva socialmente justa e sustentável, e só então partir para a aquisição de um produto. Valorizar o local também faz parte deste contexto, através de uma produção menos acelerada, sem a necessidade de ultrapassar limites, pode-se produzir em menor escala com uma maior durabilidade. Este é o caminho a ser trilhado.

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Podemos acreditar que num futuro próximo vamos consumir menos e nos conscientizar de que a felicidade não está à venda! E lembrarmos constrangidos do que um dia já causamos contra nós mesmos.

LKV

fotos:reprodução

moda x vaidade

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by jill111

Atire a primeira pedra, quem nunca se sentiu enganada por uma vendedora de loja de roupas que disse que você estava linda, em um “modelito” de gosto duvidoso? E mesmo assim você comprou a roupa ficando na dúvida, e na dúvida resolveu achar que ela estava certa. O que nos move a tomar atitudes como esta?

Provavelmente deve ser a nossa vaidade momentânea que nos clama por alguma audiência. Se procurar em um dicionário você vai ver que o significado de vaidade é: “excesso de valor dado à própria aparência, caracterizado pela esperança de reconhecimento e admiração de outras pessoas”. Ou seja, não precisamos simplesmente nos achar lindas, precisamos escutar de outra pessoa que estamos lindas.

Neste espaço que existe entre achar e acreditar é que se encontra o marketing da indústria da moda. E se baseia toda a nossa indústria do consumo atual. Atingir um lado vazio que precisa ser preenchido em cima da nossa insegurança emocional.

Para ser feliz e linda você precisa ter….Qualquer coisa que você possa comprar, existem inúmeros apelos, o marketing do consumo é enorme. Mas quando vamos perceber que precisamos resolver nossas questões internas sem a necessidade de consumir?

A moda e a mulher são dois alvos fáceis nesse mural de exemplos. Mulheres são diariamente convencidas que precisam de um sapato, ou uma bolsa, ou um vestido para serem consideradas amadas e especiais.

Mulheres são tão superiores que não precisam disso, apesar de ainda achar que precisam sim!

Até onde precisamos ir?

Vaidade se origina do latim, de vanus, que quer dizer vazio”.

Talvez algo nos impeça de enxergar a verdadeira imagem que refletimos, vemos uma imagem distorcida da realidade e buscamos uma perfeição difícil de atingir. É aonde entra a variedade de lojas de roupas que está a nossa disposição para alcançar o nirvana.

Moda e vaidade andam de mãos dadas para alcançar a felicidade.

Quem nunca comprou algo que não precisava, com dinheiro que não possuía, para parecer o que não é, e passar uma impressão distorcida aos outros…..

Fica a reflexão sobre os nossos atos consumistas e a descoberta de uma nova consciência do que realmente importa para viver.

LKV

foto:Pixabay

por um olhar mais complacente sobre o fashion design

by pexels
by Pexels

Pode-se pensar que o design de moda é um simples acessório. Respeitável engano. O fashion design é mais importante do que pensam as mais simples cabeças que escolhem qualquer roupinha básica para sair de casa todos os dias.

A maioria das pessoas tem uma visão um tanto quanto crítica e ácida sobre o design de moda. Aqui ou lá fora, tanto faz, parece sempre que a moda lida com coisas banais, fúteis e superficiais. Não é para assumir uma postura parcial diante do assunto, nem pra defender um ponto de vista, mas para tentar abrir a mente de pessoas que tem a capacidade e inteligência de enxergar o fashion design além do fast fashion, das grandes maisons, da enxurrada de coleções anuais, ou das simples modinhas.

Lógico que a indústria da moda é poderosa no mundo todo, move bilhões de dólares, de pessoas e de interesses, para estar de pé. Nem sempre de uma maneira politicamente correta, assim como todas as outras indústrias; como a automobilística, de alimentos, a farmacêutica, ou de tecnologia. Ok, tirando o lado prático, vamos ao que interessa!

by geralt
by Geralt

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o design de moda “ditado” pelas grandes grifes, vem das ruas. Sim, isso mesmo! Trata-se de um estudo de comportamento e de tendências, que são realizados através de bureau de tendências e pessoas que captam o inconsciente coletivo. Através do estudo do comportamento humano, do que está se falando, sentindo, comendo, visualizando, ouvindo ou fazendo, pesquisadores espalhados pelo mundo tem o poder de abrir suas anteninhas para captar e processar o que vamos querer para o futuro. Que cores serão mais escolhidas, quais acessórios serão mais usados e que roupas serão mais desejadas. Ou seja, de maneira geral, tudo que está ligado ao fashion design vem da nossa própria vontade. De uma intenção latente que existe em nós mesmos e que ainda nem sonhamos em descobrir.

O fashion design é inerente ao sentimento de cada pessoa, por isso é subjetivo e se apresenta de maneira diferenciada em cada um de nós. O que não se pode fazer é ignorar que se trata da representação daquilo que exprime a essência do anseio das pessoas.

Pode estar certo de que ao fazer a opção de um determinado design de moda, escolhe-se também pela própria satisfação e mais do que tudo pelo próprio prazer.

fotos:Pixabay

LKV