qual o seu sonho de consumo?

download (1)Esta ainda continua sendo uma pergunta frequente entre muitos de nós. São tantos sonhos: uma casa, um carro, uma joia, uma roupa de grife, uma viagem perfeita. Temos a necessidade de sonhar com alguma coisa para comprar. Comprar um sonho, que se materializa quando se torna palpável, sonho realizado traz felicidade, ser feliz momentaneamente e sonhar com mais alguma coisa para consumir. Ei pera aí, mas felicidade também se compra? Aonde? Em uma loja ou em uma farmácia?

Ao que parece, a felicidade é um produto intangível. A sociedade acredita que podemos sempre consumir felicidade em pequenas doses, com coisas e coisinhas a serem compradas. E conseguimos chegar aonde chegamos. Uma sociedade excessivamente consumista que foi adestrada para consumir, consumir, consumir e que através deste padrão seria feliz.

aba_moda_danca-de-salao3

Mas a realidade é bem diferente do sonho que nos foi vendido.

O mundo atual não suporta mais tanto excesso, tanta produção industrial, tanto lixo fabricado. Estamos em colapso. Existe a necessidade urgente de uma mudança de comportamento. Por quê? Para sobrevivermos em um futuro próximo. Menos é mais passou a ser a tendência da vez.

Uma das grandes colaboradoras deste processo consumista é a indústria da moda. A fada-madrinha que pode transformar sonho em realidade. Uma efêmera usina de criações mirabolantes na qual o mais importante é o consumo imediato e desnecessário. Criadora da ilusão do glamour e do luxo como fonte de desejo da maioria dos mortais que querem ser incluídos e ter status.

images

Ainda sob essa visão antiquada, a indústria fashion consegue arrebatar milhões de pessoas no mundo, tendo como protagonista o consumismo. A felicidade torna-se possível, acessível e ainda, pode ser dividida no cartão de crédito. A estrela desta moda é o fast fashion, democrática e atualizada, pode ser comprada por qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta, o que se desfila nas passarelas mais chiques das marcas mais famosas das cidades mais badaladas do mundo.

images (1)Conhecida pela produção em larga escala, mão de obra altamente explorada (até mesmo escrava), e reprodução do design de grandes estilistas. Também é sinônimo de uma moda descartável, essencialmente acessível, com preços módicos. O que nos leva a um consumo desenfreado. Quem nunca? Quantas vezes já compramos alguma coisa em liquidação sem nunca ter precisado e consequentemente, pior, nunca ter usado. Será que você também não tem alguma peça de fast fashion, novinha ainda com a etiqueta, aí no seu guarda-roupa?

“É uma moda que dura pouco, principalmente na vitrine. A loja se abastece de novidades semanalmente. Trabalham com estoque pequeno e muita diversidade de modelos, criando a sensação de que você precisa comprar a roupa já, porque ela vai acabar. E acaba mesmo.” Enrico Cietta, economista italiano, autor do livro ”a revolução do fast fashion”

Uma moda feita para não sobreviver, para banalizar. Em um pequeno espaço de tempo, um abastecimento de novidades e escalonada de cima para baixo, ou seja, reprodução de grandes marcas. Roupa sem um contexto.

o-consumismo-te-consome1
Mas a moda já nos ensinou que é um movimento que vem das ruas, não o contrário.

E nesta onda cresce o slow fashion, sinônimo de escolhas conscientes, avessa aos excessos. Este novo conceito surge como um alento para quem já tem uma percepção diferenciada de comportamento, uma nova mentalidade e cria uma perspectiva positiva em relação ao futuro. O significado é o contrário do que praticamos, ou seja, diminuir o consumo, evitar demasias, desacelerar o ritmo.

A intenção é fazer melhores escolhas! Ter um ponto de vista diferenciado sob a indústria da moda; onde a integridade do meio ambiente esteja garantida, onde se construa uma relação mais justa com a parcela que executa a produção, onde se possa ter um olhar para o “local”, e onde se possa ter a geração de novas alternativas de consumo.

O objetivo é transmutar o raciocínio, despertar a consciência para o novo. Ter o conhecimento dos impactos negativos que o consumismo gera para o planeta. Ter a percepção, de que, quem compra também tem responsabilidade por aquilo que consome. Ter um consumo objetivo e reduzido.

Impossível? Com certeza não!

Existem profissionais criativos que acreditam nesta nova plataforma e agem de acordo com o slow fashion. Aqui no Brasil e fora dele, há muitos exemplos e nomes de respeito a serem seguidos.

“Buy less, choose well, make it last.” Vivienne Westwood

A inclinação do comportamento coletivo é o de começar a repensar seus atos consumistas; seu compromisso com a origem de um produto, durabilidade e descarte; sua necessidade de possuir o que realmente precisa; e sua capacidade de restaurar algo já utilizado. A partir desse novo raciocínio surge uma nova fonte de pensamentos de uma sociedade que quer fazer algo novo e diferente do que tem sido feito.

images (3)

Parece algo difícil de imaginar, mas pequenos e importantes grupos estão começando a realizar suas criações de um modo sustentável e menos nocivo. Percebendo essas movimentações o mercado terá que se adaptar ao novo. O consumidor é quem vai estabelecer esses novos padrões, a partir do momento que informar-se, reivindicar uma cadeia produtiva socialmente justa e sustentável, e só então partir para a aquisição de um produto. Valorizar o local também faz parte deste contexto, através de uma produção menos acelerada, sem a necessidade de ultrapassar limites, pode-se produzir em menor escala com uma maior durabilidade. Este é o caminho a ser trilhado.

images (2)

Podemos acreditar que num futuro próximo vamos consumir menos e nos conscientizar de que a felicidade não está à venda! E lembrarmos constrangidos do que um dia já causamos contra nós mesmos.

LKV

fotos:reprodução

por que amamos sapatos?

Desde que surgiram não largaram mais dos nossos pés. No princípio, a principal função era a de proteger, mas agora, quanta diferença! Serve mais como peça de design e status do qualquer outra coisa.

Em 10 mil a. C., começa a sua história. Há indícios, pinturas em cavernas, de que o sapato já existia naquela época. Na Idade Média, homens e mulheres usavam sapatos de couro aberto. Porém só depois do uso da máquina de costura para a fabricação do sapato é que ele se tornou mais popular.

Salto-Alto-e-eles

Mulheres amam sapatos. Principalmente os de salto alto, sabe por que? Porque simbolizam poder e elegância. Quando usam saltos altos as mulheres se sentem mais atraentes, ficam com a auto estima mais elevada e a postura também é valorizada. O desejo feminino é o de ser reverenciada.

A história comprova.

Na China, as sapatilhas eram usadas pelas mulheres desde a infância com o tamanho reduzido para os pés atrofiarem, forçando um caminhar curto e lento, símbolo de elegância. No Egito, somente as mulheres de classe alta usavam sapatos, feitos com pedrarias e bordados em ouro.

No século XV, em Veneza, só mulher rica podia ter um salto alto. Além de significar status econômico e social, o salto foi criado pelos maridos como forma de dificultar a caminhada e assim ter um maior controle sobre os passos das esposas.

Deu pra entender? Agora já da pra dar uma explicação quando ouvir que você tem muitos sapatos!

saltos-altos

LKV

fotos:reprodução
*(este post já foi publicado aqui no blog)

excesso de bagagem!

travel-1934330_960_720.jpg

Por que carregamos tanta bagagem? Durante toda a nossa vida vivemos juntando coisas, de todos os tipos, quando precisamos fazer algum tipo de mudança, seja de casa ou seja de vida, nos damos conta de que juntamos tantas coisas desnecessárias. São, geralmente, coisas materiais, como: roupas, bibelôs, sapatos, louças, bolsas, brincos, copos, colares, livros, pulseiras, discos, gadgets, contas a pagar,…

Enfim, são tantas coisas e coisinhas (principalmente, da parte feminina)…. São mesmo coisas, porque é um conjunto de objetos que damos valores que muitas vezes eles não tem, valores sentimentais a objetos materiais.

Será que precisamos de tanto para viver? Acho que não, podemos viver bem e com conforto sem tanto excesso de bagagem.

Podemos ser mais do que realmente ter, dar valor ao que realmente importa e nos alimenta na vida como: bons sentimentos, atitudes positivas, horas de boa companhia, amizades antigas ou novas, gargalhadas, momentos felizes, reencontros, dias de sol,….

Enfim, são tantos valores imateriais e sentimentais, que se cada pessoa me falasse um, a lista não acabaria. Porque sentimento é subjetivo e toca cada pessoa de maneira diferente e especial. Este excesso de bagagem sim é o que vale a pena carregar. Não é simplesmente mais um peso extra, mas sim o que carregamos de bom, útil e necessário dessa vida, o que nos mantém vivos, nos motiva e nos faz sempre renascer.

O mais importante é, aos poucos, largar, ao longo do caminho, aquele excesso de bagagem inútil, que só nos deixa mais pesados. E carregar somente o excesso de peso bom, que realmente nos deixa mais leves.

LKV

(*este texto já foi publicado aqui no blog)
fotos:reprodução/Pixabay

como nasce uma tendência

New-trends-in-internet-marketing-for-smaller-enterprises

A palavra tendência caiu na boca do povo! Sempre tem alguém falando em tendências…Mas, na verdade o seu sentido ficou um pouco banalizado. O significado de tendência é aquilo que leva alguém a agir de determinada forma, uma predisposição. Seguir um mesmo caminho.

Na moda parece que tudo é tendência….Não é bem assim!

Uma tendência nasce a partir de muita pesquisa e estudos relacionados ao comportamento das pessoas. O caçador de tendências, “cool hunter”, é o profissional que observa este movimento. São profissionais com diferentes formações acadêmicas; como sociólogos, jornalistas, historiadores… Mas que possuem a capacidade de captar o espírito do tempo, o “zeitgeist”, termo em alemão que engloba diversos sinais que o inconsciente coletivo pode gerar.

Esse profissionais trabalham em diferentes cidades do mundo estudando o que vai virar tendência ou não. Geralmente, estão ligados à escritórios de pesquisa de tendência de consumo, que possuem uma cartela de clientes de diversos segmentos da indústria.

Com grande conhecimento e curiosidade em relação às novidades, o cool hunter, observa, fareja e procura sinais que representam o desejo que está latente através do comportamento das pessoas.

A partir de então, juntam-se várias peças como em um quebra-cabeça, são mapeamentos e relatórios elaborados sem falsas hipóteses, e surge uma tendência. Elas podem ser macro e micro tendências, geralmente depende do tempo que ela pode durar. Por exemplo, a cor do ano sugerida pela Pantone, é uma micro tendência porque tem uma curta duração. Na moda, este estudo influencia as criações de um designer através das suas coleções, e é transformado em texturas, modelagens, cores e tecidos que vão ser escolhidos e usados no design e no estilo das roupas de uma determinada marca.

design-fashion-sketchbook

O mais importante é entender que uma tendência nasce das ruas. Não das grandes grifes de moda. Ela nasce do inconsciente coletivo sugerido através de pequenos atos de consumo, muitas vezes, imperceptíveis. Manifesta-se através de nossas próprias pequenas vontades. É uma antevisão do próprio caminho que queremos seguir.

LKV

fotos:reprodução

ou isto ou aquilo?

geralt
by Geralt

…“ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…

e vivo escolhendo o dia inteiro!

…mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo”.

(trecho da poesia de Cecília Meireles)

 

Opções…..Fazemos muitas durante toda a nossa vida inteira, sempre, todo dia, ou hora, a cada instante ou passar de minuto. Estamos sempre escolhendo alguma coisa. O problema é que quando escolhemos entre as alternativas que a vida nos oferece, deixamos outras (que também são interessantes) de escanteio. E a dúvida da escolha certa sempre nos atormenta. O questionamento é inevitável e a pergunta sempre surge: “e se tivesse feito tudo diferente, como estaria hoje?” Será que a grama do vizinho é mais verde?

Por isso esta poesia da Cecília Meireles sempre me acompanhou, desde criança quando a conheci e até hoje gosto revisitá-la. Nunca me esqueci dela, e quando estou diante de uma dúvida me pergunto: “ou isto, ou aquilo?”.

A questão maior é ter que renegar tantas outras coisas e imaginar que não se pode voltar atrás, só se pode caminhar para frente. Pelo menos é o que tentamos!

Muitas das vezes nossas escolhas estão interligadas com as de pessoas que são importantes e convivem com frequência junto de nós. Se decidir por um lado podemos magoar o outro ou nos sentirmos magoados, o que nos gera culpa e inseguranças.

A gente está sempre tentando (principalmente, nós, mulheres) agradar sempre, tudo e a todos, e nessa, geralmente, acabamos nos perdendo e ficamos no meio de um turbilhão de acontecimentos, o que acaba por nos complicar ainda mais ao invés de surtir um efeito positivo.

O caminho é rever nossos conceitos, repensar nossos dilemas, reagir intuitivamente e sentir-se bem, em primeiro lugar.

LKV

(*este texto já foi publicado aqui no blog)
fotos:reprodução