crônica, moda

a moda, o design, a inovação de tecidos e a impressão 3D

Quando se pensa em tecnologia na moda o que logo vem à cabeça são cenários futuristas, roupas inteligentes e interativas, ou o figurino de alguns filmes clássicos de ficção que bateram recorde de bilheteria.

Porém, nada de concreto. Afinal, o que se pode esperar de inovação tecnológica na indústria da moda no século XXI, hoje, onde o futuro já chegou.

Impressão 3D

Existe um grande mercado pesquisando por novas soluções e roupas que possam ser práticas e ajudar no dia a dia. Uma das grandes revoluções, que também está revolucionando outros mercados, é a impressão 3D.

Na indústria da moda a impressão 3D começou com acessórios e peças conceituais, mas já tem designer pensando além.

roupas-de-impressc3a3o-3d-impressora-bomber-danit-peleg-2017-blog-loucuras-de-julia-03-thumb-663x493-170143

A estilista Danit Peleg, já tinha criado peças em impressora 3D para a sua formatura, agora ela lançou uma jaqueta bomber, elaborada em um material de borracha especial com forro de tecido. A peça pode ser feita, cor e tamanho, de acordo com a preferência do cliente. Mas o custo ainda é alto, U$ 1500, isto por causa do tempo de produção e dos materiais usados na elaboração da peça.

roupas-de-impressc3a3o-3d-impressora-mora-sanchez-cosine-2017-blog-loucuras-de-julia-02-thumb-663x559-170146
A designer Maria Alejandra Mora-Sanchez, também criou um vestido em tecido plástico expansível inspirado no desenho do origami. Como o design é geométrico e vazado, o vestido também é adaptável, expansível, flexível e o mais importante: usável.

Tecidos tecnológicos

No quesito dos tecidos, já existentes, inovações também estão sendo feitas. Como tecidos que expandem, mudam de cor, repelem a água e muito mais.

Apresentação1-thumb-960x545-170149

O designer, Ryan Mario Yasin, criou roupas infantis que expandem de acordo com crescimento da criança. Com experiência em engenharia aeronáutica ele pesquisou e chegou ao formato de dobradura para desenvolver as peças, que são à prova d’água e vento. “A estrutura deforma de acordo com os movimentos da criança, expandindo e contraindo em sincronia com o corpo”, explicou Ryan em entrevista ao Dezeen.

tecidos-auto-cura-e-repelentes-a-água-690x490-thumb-609x407-170152

Pesquisadores da Universidade Deakin, na Austrália, também estão estudando essas novas tecnologias. Neste caso, a pesquisa é com tecidos repelentes à água e auto-cura. A partir de uma tela super repelente a água, feita com nanopolímeros com propriedades de auto-reparação, ou seja, mesmo sendo danificada a peça pode se reformular.

Na área de roupas esportivas o desenvolvimento é grande. Além de confortáveis as peças são multifuncionais. Um exemplo, é a start up indiana que criou uma camiseta com LED’s embutidos, que ligada a um smartphone também monitora as atividades físicas.

Design minimalista e Freegender

O futuro em que vivemos é mais simples e objetivo. Apesar de muitas inovações e pesquisas sendo realizadas, essas tecnologias ainda não estão à disposição de todos e ainda vão demorar para ser acessíveis ao grande público.

Hoje, o que se move na contramão do poder consumista da indústria da moda é o minimalismo. Principalmente no estilo de vida das pessoas. Viver uma vida sem tantos excessos, com um consumo mais consciente e com uma preocupação com os danos ambientais.

8a97d6b55cbca197665dcb178ef7fa4b-thumb-670x437-170158.png

Por isso, o design minimalista e a moda freegender, ou seja, sem gênero definido, são a nossa realidade atual. Vão de encontro à um pensamento que une uma moda durável com a liberdade de um estilo próprio. Sem a necessidade de um consumo desenfreado, mão de obra escrava, design repetitivo com muitas cópias e materiais de baixa qualidade.

download-thumb-640x626-170155

O futuro próximo surge com a necessidade de bem estar coletivo. E a moda responde com um design clean e uma maior liberdade de expressão.

LKV

fotos:reprodução/internet

 

Anúncios
crônica

mais amor, por favor!

battershelltactical
by batter shell tactical

Se você for procurar no dicionário vai perceber que o significado de família ainda continua o mesmo, mas na prática, o que temos visto são novas famílias se formando de maneiras bem diferentes do que estávamos acostumados.

Para mim, o real significado de família é amor, independente de qualquer coisa.

Pais e mães, avôs e avós estão mudando de figura e toda mudança é bem vinda.

Hoje, vemos casais separados que se unem novamente e carregam seus filhos para novos relacionamentos, formando famílias cheias de meio-irmão.

Pais assumindo filhos que não são biologicamente seus ou mães sem filhos criando enteados, originários de outros relacionamentos.

Famílias com crianças adotivas, independendo de cor, raça, sexo e idade dos próprios pais.

Outras que procuram meios de gerar uma criança através de barriga solidária, ou buscam a medicina para fazer fertilização in vitro, e de repente nascem gêmeos, trigêmeos ou quadrigêmeos.

Famílias com duas mães ou com dois pais.

Casais sem filhos, mas com animais de estimação.

miguelrperez
by miguel perez

Ou seja, não existem limites para a nova formação destas famílias modernas que transcendem aquilo que estávamos acostumados a ver. É muito positivo encontrar essa multiplicidade de opções, onde a pessoa tem a liberdade de ser o que deseja, naturalmente.

Temos que acolher esses novos formatos de família, mais do que isso, olhar de uma forma igual, sem preconceitos ou julgamentos. Porque independente de qualquer coisa o que move as pessoas é o amor, que é o mais importante.

LKV

fotos:Pixabay
crônica, inspiração

conheça HYGGE, o lifestyle do momento que vem ganhando adeptos no mundo todo

how-to-live-hygge-lifestyle-bed-guru (5).jpgJá ouviu falar em hygge? Este é um conceito dinamarquês, que assim como a nossa palavra “saudade”, não existe uma única tradução similar em outras línguas. Por isto é subjetivo, um estilo de vida singular do povo da Dinamarca.

Hygge pode ser definido como aquilo que traz uma sensação de bem estar, aconchego, conforto ou felicidade. Este, é um dos motivos pelo qual ele vem sendo cada vez mais espalhado pelo mundo afora, e, também porque a Dinamarca é conhecida como um dos países mais feliz do mundo.

hygge

Baseado num conceito de vida simples, onde o que importa são as pequenas coisas do dia a dia; como um café quentinho com biscoitos caseiros, o aconchego de cobertas macias ao assistir um filme, ou um jantar à luz de velas. Tudo o que valoriza pequenos gestos de delicadeza, carinho e gentileza.

Na Dinamarca não há muitas privações forçadas. O que se tenta é ser generoso consigo mesmo e com os demais. Os dinamarqueses não bebem ou comem em excesso e depois cortam tudo. Nem fazem dietas ‘ioiô’.”

Helen Russell, autora de um livro sobre o tema.

Dê uma olhada nas imagens abaixo

E entenda melhor o significado do estilo hygge de viver a vida, seja na decoração da casa ou na moda da roupa, enfim no lifestyle.

1483479198_360244_1483479513_noticia_normal

Embora tenha surgido em um país de clima frio, onde as pessoas passam mais tempo dentro de casa curtindo horas ociosas, confortáveis e felizes, este estilo está se disseminando pelo mundo.

O hygge é tema de um blog, Hello Hygge por Kayleigh Tanner, de uma loja online de papéis de parede e de uma padaria em Los Angeles que vende pães típicos dinamarqueses. Ou seja, está aparecendo em muitos lugares

Mas dá pra entrar na mesma vibe mesmo com o calor dos trópicos?

Basta adaptar o hygge à nós. É aprender a valorizar pequenos prazeres do cotidiano que muitas vezes nos passam despercebidos, e fazer mais coisas agradáveis e aprazíveis; como receber amigos em casa para um bom papo, arranjar tempo de qualidade e cuidar de si mesmo, ou se satisfazer ao redor de uma mesa farta de boa comida, boa bebida e boa companhia… A escolha é sua!

O conceito é subjetivo e pode ser adaptado ao que você acredita que é felicidade. O mais importante é ser livre de conceitos estabelecidos, viver de uma maneira mais leve e superar as culpas infundadas. Buscar a plenitude.

LKV

fotos:reprodução
crônica

vida ao vivo

love-2242766_960_720

É “chover no molhado” (sendo bem popular!), dizer que hoje vivemos cercados de câmeras de vídeo por todos os lados. Em todas as lojas, supermercados, bancos, shoppings ou até mesmo pequenos comércios, nos condomínios onde moramos, elevadores, etc…Enfim não há limite para elas: as câmeras são protagonistas da nossa vida real! E elas chegaram a atingir até as nossas próprias casas, dentro do nosso mais sagrado refúgio: o lar, para vigiar os empregados domésticos, os pobres animaizinhos ou a nós mesmos?

Esta questão se torna fundamental numa sociedade que preza pela privacidade, pelo individualismo e pelo respeito ao próximo, será que precisamos ser vigiados o tempo todo para termos a certeza de que podemos confiar em nós mesmos? Será que quando as câmeras não existiam éramos mais corretos? Acho que são perguntas sem respostas ou respostas desnecessárias, pois já chegamos a um ponto do qual não podemos mais retornar.

camera-2322167_960_720As câmeras estão aí para nos fiscalizar e punir quem cometer uma infração. Muito justo.
Mas o que vem acontecendo mesmo, na maioria das vezes, é o big brother da vida real, as pessoas são flagradas em situações idiotas ou tão banais que se tornam engraçadas?!?! O pior disso tudo é que essas imagens podem se tornar públicas. Por conta dessa exibição toda hoje em dia as pessoas querem mais é se expor, se mostrar para quem sabe conseguir os seus 15 minutos de fama, como dizia Andy Warhol.

Essa banalização toda faz nascer, cada vez mais, fenômenos populares incríveis (sem citar nomes!), tem cada coisa fazendo sucesso por aí! E o povo gosta e tem gente ficando famosa do dia pra noite e fazendo de tudo também para reconquistar a fama perdida. Todo mundo pode ser alguém e qualquer um pode ser famoso. O que não significa que a pessoa tenha algo relevante para mostrar ou ensinar. É a popularização da “arte”, a massificação da famosa cultura pop.

Zeitgeist! Sinal dos tempos, ou será que eu tô ficando velha?

LKV

fotos:Pixabay
*(este texto já foi publicado aqui no blog)
crônica, moda

ronaldo sempre ronaldo

300817-ronaldofraga-primaveraverao-201718-37-400x600

Ronaldo Fraga inovou mais uma vez. Além de entrar no universo de moda praia, trouxe com muita leveza, a diversidade e a democracia que a praia nos proporciona. Não se trata de mais um desfile do SPFW 44 (São Paulo Fashion Week), mas de mostrar que a moda também pode ir além do que se veste.

O desfile, ao ar livre, mostrou uma coleção de beachwear com a cara do estilista, retrô e ousado. Com a atmosfera dos anos 20, quando a praia começou a ser frequentada como lazer, o que se viu não foram apenas biquínis mas roupas de praia inspiradas no que já foi uma moda um dia.

O mais importante, no entanto, ficou por conta do conceito do desfile. Na passarela, o casting mostrou a diversidade. Na praia do mineiro todo mundo pode entrar. Bonitos, feios, negros, brancos, trans, velhos, gordos, amputados… Os “diferentes” e excluídos da tão usual beleza plástica das modelos magras e bronzeadas da indústria fashion.

Não é sobre moda, coleções ou design, mas sobre a essência do ser humano. Genial!

LKV

fotos:reprodução/internet
crônica

gosta de tatoos?

Estamos no século XXI mas muitos dos nossos conceitos ainda estão nos séculos passados. Mesmo tendo uma gigantesca evolução em áreas como a ciência e a tecnologia, em outras ainda continuamos engatinhando. Principalmente no que diz respeito ao comportamento do ser humano. Em geral, a maioria da população mundial tem restrições quanto às mudanças relativas ao convívio e à aparência. Vivemos uma ditadura quanto aos padrões de beleza e quem não consegue se encaixar segue sua vida à margem.

reprodução
reprodução

Falando especificamente em relação às tatuagens, pode se perceber que ainda existem muitas restrições e olhares preconceituosos a quem possui este tipo de visual. Sem fazer apologias, porque não tenho tatuagem mesmo! Mas sou contra esse olhar preconceituoso que limita as pessoas, emburrece, a ponto de acharem que, alguém é ou não é….., porque tem uma tatuagem.

Lendo um pouco da história, dá pra ver que tatoos já existem há muito tempo. Há muitas provas arqueológicas que afirmam que tatuagens foram feitas no Egito entre 4000 e 2000 a.C. e também por nativos da Polinésia, Indonésia e Nova Zelândia, em rituais religiosos. Durante a Idade Média, a igreja católica proibiu a tatuagem na Europa, pois era considerada uma prática de vandalismo ao próprio corpo. Hoje, porém, ganhou status de arte e as pessoas fazem uma tatuagem para se diferenciar das outras, exibindo o seu corpo como forma de expressão artística.

O problema é quando esse fato torna-se mais importante do que a pessoa, transformando um potencial em algo negativo. Não só o que diz respeito às relações humanas, mas nas questões práticas, como no local de trabalho por exemplo. Alguns locais mais tradicionais, ainda não aceitam pessoas muito tatuadas, e isto é fato.

A tatuagem é só mais uma característica da personalidade e não deve atrapalhar. Ou pelo menos não deveria. Como muitos outros diferenciais que possuímos, como: tipo de cabelos, cor dos olhos, pele, altura, tipo físico ou personalidade….o que nos distingue uns dos outros. Somos diferentes, ainda bem! Não teria a menor graça se todos fossem iguais. Hoje, mais do que nunca, as pessoas tem essa mania de querer sempre enquadrar todo mundo dentro de um padrão. Como bonecos de plástico dentro de caixas e sem emoções!  E se você não se encaixa, está fora?

LKV

*(este post já foi publicado aqui no blog)
crônica

estamos no caminho certo?

Vivemos tempos de transformações. Estamos em busca de algo mais concreto para preencher o vazio que corrompe a nossa felicidade. Não se trata de um texto de autoajuda, mas de um questionamento. Do entendimento do comportamento coletivo. Será que conseguimos chegar aonde desejávamos?

patmikemckane-thumb-960x640-155755.jpg
by patmikemckane

O século XX foi marcado por grandes feitos da humanidade, sem dúvidas, evoluímos muito em todas as áreas. Principalmente no que diz respeito ao conhecimento científico. Vivemos em um mundo altamente digital. Embora ainda existam milhões de pessoas que morrem de fome todos os dias. O que faz pensar: estamos no caminho certo?

A partir da década de 60, do século passado, houve um alto índice de migração da zona rural para a área urbana. O êxodo rural trouxe as pessoas à procura de uma vida melhor e mais qualificada para as grandes cidades. Com o passar dos anos e todo o progresso que vivemos, escolhemos viver uma vida caótica nos grandes centros urbanos. Trabalhamos horas para ganhar mais, para dar uma vida melhor para os nossos filhos. Compramos casas e carros financiados a longo prazo. Criamos lugares especializados na venda de quase tudo. Estamos sempre consumindo alguma coisa. Tentando ter mais para sermos mais felizes. Será? Conseguimos chegar lá, ou está faltando algo a mais? O que realmente encontramos quando nos deparamos com o que existe de mais profundo dentro de nós?

A felicidade plástica que é exibida nas redes sociais não está no nosso íntimo. A vida virtual esconde graves problemas sociais e emocionais que acontece no mundo inteiro. Tragédias humanas provocadas por nós mesmos. Em todos os cantos vemos infortúnios acontecendo.

Para aliviar, escolhemos fugir. Em busca do paraíso.

Mas, agora esta opção está se tornando uma realidade. Já existe um considerável número de pessoas almejando viver uma vida mais simples. Uma demanda contrária ao que já vivemos, um êxodo urbano. Um movimento contrário. Ainda pequeno, porém com uma consciência que tenta contagiar pela pura e simples felicidade. Ter tempo de verdade para o que realmente importa na vida. Agradar a si mesmo e aos que estão ao seu redor. Viver plenamente. Simplesmente. Sem tantos excessos.

Com certeza não podemos viver mais sem um wi-fi, mas é óbvio que a tecnologia está aí para ajudar, principalmente, na interação com as pessoas, e por exemplo, na área profissional. Este amparo serve para contribuir.

Muitas pessoas estão se mudando para lugares menores, cidades no campo, balneários, locais na serra, eco comunidades. Lugares não faltam! A necessidade do convívio com a natureza traz o preenchimento do que estava faltando. O ser humano se sente realizado. Na verdade é a caça da sua essência. A essência que está latente dentro de nós, a mais pura, original, selvagem.

A resposta para todas as nossas questões, talvez seja difícil encontrar, o caminho deve ser por aí. Reconectar-se. Encontrar através do meio ambiente a nossa própria raiz. Completar o deserto interior com a imensidão que o universo nos proporciona diariamente.

LKV

fotos: Pixabay
*(este texto já foi publicado aqui no blog)
crônica, moda

padrão a ser quebrado!

padroes_beleza-thumb-700x431-168770

Muito se fala hoje em dia sobre estar dentro dos padrões que a sociedade impõe. Mas que padrão é esse? Está certo ou errado, quem o estabeleceu, por que ele está aí? Será mesmo que o padrão precisa ser seguido? Afinal de contas, o gado é que segue a sua manada…

Todos os habitantes do planeta Terra fazem parte do mesmo rebanho? Essa resposta é para ser facilmente respondida, mas tem um “porém”, ou alguns. A sociedade sempre seguiu alguns padrões, seja de beleza, ou de comportamento, ou de educação, ou de moral. Enfim, sempre foram ditadas algumas regras para o bom convívio em grupo. Ok, tudo certo, afinal é necessário estabelecer algumas regras para que a sociedade possa interagir de uma maneira saudável, com respeito, com educação e com tolerância.

Quando se fala em beleza, o assunto muda de figura, literalmente. Já se evoluiu um pouco, mas ao longo do tempo sempre houve um padrão que era dominante. Quem nunca viu uma pintura antiga com uma musa rechonchudinha?

07_Rubens_AsTresGraças-1635-826x1024-thumb-826x1024-168769
As Três Graças/Rubens/século XVII

O padrão foi se alterando ao passar dos séculos, mas sempre teve um tipo de preferência.

marilyn corpo-thumb-497x590-168778
Marilyn Monroe/década 50

Hoje, este padrão está cada vez mais rígido, difícil de ser alcançado. Representado por um pequeno número de mulheres da população mundial. Uma pesquisa aponta que sete em cada dez mulheres brasileiras sentem a pressão para ser bonita.

kate-moss-thumb-700x910-168775
Kate Moss/década 90

fora do padrão?

“*Para a mídia, mulheres que estão no padrão de beleza possuem pelo menos 95% das características abaixo:
pele clara;
entre 18 e 35 anos;
cabelos lisos ou cachos bem definidos, mas nunca crespos;
se solteiras, que seja por pouco tempo, pois casar é imprescindível;
se casadas, que tenham filhos e que já estejam magras depois do parto;
ricas com renda própria ou advinda do companheiro;
magras (não precisava nem falar isso);
malham 5 vezes por semana;
comem comida fit;
não bebem, ou só bebem champagne;
estão sempre sorrindo;
têm um cachorro ou um gato;
têm instagram, snap, face e postam fotos todos os dias, de tudo o que fazem;
são discretas (?) e…
heterossexuais.”
*Fonte:http://www.crisguerra.com.br/2017/06/26/voce-e-fora-do-padrao-e-nem-sabia/

Mas quem se enquadra em todas essas características? A grande maioria da população feminina brasileira é bem diferente. Não faz parte da realidade. Isto tem gerado sérios problemas de aceitação, inclusão, autoestima, distúrbios alimentares… Entre tantos outros. Esse padrão precisa ser mudado! Para representar a nossa verdade e se enquadrar dentro da nossa diversidade. Que é a palavra mais certa para definir a população brasileira.

Diversidade

Tantas são as nossas cores, nossos biótipos, cabelos, corpos…Um só padrão não nos representa.

É uma luta que está começando a ser percebida. Quem tem que mudar este cenário é quem consome. Porque a partir do momento que se adquire marcas que respeitam as singularidades de cada pessoa, o jogo pode virar.

E, já existem marcas que estão investindo nesta pluralidade. Criando campanhas que abrangem tipos diferentes beleza, respeitando formas, cores, cabelos. As pessoas precisam se sentir representadas por uma imagem que se assemelhe a elas. Precisam encontrar produtos que são úteis e tenham uma função real. Precisam de roupas que sirvam.

liberdade-a-beleza-sem-padroes.html-thumb-4974x2645-168781
Campanha Dove

Esse padrão quer pasteurizar as pessoas, deixar todas com a mesma aparência, como bonecos. Produção em série. Ter que ter uma determinada altura, um certo peso, um tipo de cabelo. Pertencer a um grupo! E se for diferente, não serve? Não!

A realidade é bem o contrário. Mulheres comuns, que batalham pela sobrevivência diária, não se encaixam dentro deste padrão que não nos pertence.

A função da mídia não é só vender! É também ter uma visão do bem estar coletivo. Onde a sociedade se sinta representada e satisfeita com aquilo que deseja consumir.

Essa mudança de conceito pode começar pela valorização das diferenças de cada ser humano e por uma nova atitude de comportamento.

Acreditar que cada pessoa tem o seu valor, cada beleza tem a sua graça e que o melhor da vida e conviver com as diferenças.

LKV

fotos:reprodução/internet
crônica, moda

o futuro da moda é neutro?

Com o conceito de gênero neutro cada vez mais em alta, cresce também o espaço para um mercado novo para o design de moda. A tendência apareceu de diversas formas, desde 2015, e com ícones do fashion design mundial. Mas não se trata apenas de uma aposta, e sim, de incontestável realidade que veio pra ficar.

1441395697676-thumb-550x366-135916
Selfridges

A palavra unissex não é mais a única a designar unidade para ambos os gêneros. Agora a palavra do momento é ser neutro. Gênero neutro. Freegender. Gênero fluido. A discussão sobre a questão do gênero vem dominando as novas gerações que não querem mais ser rotuladas, querem ser o que desejarem ser em um determinado momento, flutuando entre seus próprios conceitos, e viver com a liberdade de escolha constante, sem preconceitos. O binário homem/mulher, masculino/feminino está sendo questionado e desconstruído.

Refletindo o comportamento da sociedade a moda também encara toda transformação como uma grande novidade. Não só pelo fato de ser precursora, mas, principalmente para atender a demanda de um mercado em ascensão. E com grande potencial consumidor.

A britânica loja de departamentos Selfridges criou um ambiente agender, onde o cliente poderia escolher entre diversas opções, sem importar se fosse homem ou mulher. As peças estavam envolvidas em capas brancas, como uma tela sem pintura, à espera de uma identidade própria e demonstrando que o mais importante é o design de moda.

Não se trata apenas de uma básica moda unissex. Vamos mais além! Na contra mão do hiperconsumismo a ideia, também, é a de valorizar o design. Optar por uma moda mais clássica, neutra, livre de estereótipos, e com um design minimalista e sofisticado.

gucci-ss16-thumb-1346x1200-135922
Gucci

Na vanguarda do fashion design, estilistas como Rick Owens e Martin Margiela, são grandes criadores de uma moda freegender, tentando refletir sobre a posição do homem pós-moderno na sociedade e a sua identidade. A Gucci também exibiu garotas no desfile, das últimas temporadas, das suas coleções masculinas, mostrando o mesmo conceito para ambos os gêneros.

Uma nova moda para um novo consumidor. Um design mais durável para um consumo mais consciente. Roupas em transfiguração para uma geração sem rótulos. O fashion que vai além do design e que representa ideias. Um consumidor que quer fazer parte de um movimento. A diversidade encarnada através de um design contemporâneo. A moda do gênero neutro traz um novo rumo para o fashion design.

fotos: reprodução

LKV

*(este texto já foi publicado aqui no blog)
crônica, moda

moda é arte?

274435_Papel-de-Parede-Mulher-e-Arte-Digital_1920x1200-thumb-1920x1200-142751
Frequentemente se ouve esta pergunta por aí, afinal moda também é uma forma de arte?
Se você for pesquisar o significado de arte vai encontrar que se trata de uma atividade humana ligada a uma ideia ou emoção que estimula a consciência. Para a filosofia, é uma expressão do mundo imaterial projetada no material. Acreditando que para essa função o ser humano utiliza da sua criatividade podemos dizer que sim, moda também é uma arte.

Não a indústria da moda em si, as tendências criadas, a moda fast fashion, aquele básico que usamos no nosso cotidiano. A isto podemos chamar de vestuário, que tem a função de proteger o corpo, aquecer e também de enfeitar, ornar.

Mas falando de grandes criadores, designers que fazem a diferença e que realmente criam mudanças, que podem ou não, ser absorvidos pela grande indústria. Os designers de moda, grandes nomes, são poucos e raros, só que fazem a diferença. Eles usam seu próprio processo de criação, desenvolvem um projeto, são envolvidos com várias formas de arte, como o cinema ou a música. Também fazem parte de uma fábrica de criatividade e ilusão.

elsa-designs (1)-thumb-2088x544-142741Elsa Schiaparelli foi uma mulher que se destacou por sua ousadia e excentricidade. Foi responsável pela criação de peças únicas e revolucionárias. Ligada a Salvador Dalí ela conseguiu representar um pouco do surrealismo na moda. O chapéu-sapato, a bolsa em forma de telefone, o chapéu-cérebro são obras suas. A sua coleção Arlequim, foi inspirada na commedia dell’art, já a coleção Pagã reproduziu ninfas saídas diretamente de Boticelli.

john-galliano-dior-spring-2007-thumb-1280x1155-142473

John Galliano é outro nome de destaque. Ousado e excêntrico, levantou novamente a Maison Dior, com toda a sua criatividade, e arte! Sim porque sua alta-costura é cheia de referências e original como uma obra de arte.

Gostar ou não é uma questão pessoal. O fato é que a moda também pode ser considerada arte, ser vista com originalidade e transgredir a sua função. Afinal, filosoficamente, a arte é intuição, inspiração, satisfação. Moda também.

LKV

fotos:reprodução
*(este post já foi publicado aqui no blog)
crônica, moda

qual o seu sonho de consumo?

download (1)Esta ainda continua sendo uma pergunta frequente entre muitos de nós. São tantos sonhos: uma casa, um carro, uma joia, uma roupa de grife, uma viagem perfeita. Temos a necessidade de sonhar com alguma coisa para comprar. Comprar um sonho, que se materializa quando se torna palpável, sonho realizado traz felicidade, ser feliz momentaneamente e sonhar com mais alguma coisa para consumir. Ei pera aí, mas felicidade também se compra? Aonde? Em uma loja ou em uma farmácia?

Ao que parece, a felicidade é um produto intangível. A sociedade acredita que podemos sempre consumir felicidade em pequenas doses, com coisas e coisinhas a serem compradas. E conseguimos chegar aonde chegamos. Uma sociedade excessivamente consumista que foi adestrada para consumir, consumir, consumir e que através deste padrão seria feliz.

aba_moda_danca-de-salao3

Mas a realidade é bem diferente do sonho que nos foi vendido.

O mundo atual não suporta mais tanto excesso, tanta produção industrial, tanto lixo fabricado. Estamos em colapso. Existe a necessidade urgente de uma mudança de comportamento. Por quê? Para sobrevivermos em um futuro próximo. Menos é mais passou a ser a tendência da vez.

Uma das grandes colaboradoras deste processo consumista é a indústria da moda. A fada-madrinha que pode transformar sonho em realidade. Uma efêmera usina de criações mirabolantes na qual o mais importante é o consumo imediato e desnecessário. Criadora da ilusão do glamour e do luxo como fonte de desejo da maioria dos mortais que querem ser incluídos e ter status.

images

Ainda sob essa visão antiquada, a indústria fashion consegue arrebatar milhões de pessoas no mundo, tendo como protagonista o consumismo. A felicidade torna-se possível, acessível e ainda, pode ser dividida no cartão de crédito. A estrela desta moda é o fast fashion, democrática e atualizada, pode ser comprada por qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta, o que se desfila nas passarelas mais chiques das marcas mais famosas das cidades mais badaladas do mundo.

images (1)Conhecida pela produção em larga escala, mão de obra altamente explorada (até mesmo escrava), e reprodução do design de grandes estilistas. Também é sinônimo de uma moda descartável, essencialmente acessível, com preços módicos. O que nos leva a um consumo desenfreado. Quem nunca? Quantas vezes já compramos alguma coisa em liquidação sem nunca ter precisado e consequentemente, pior, nunca ter usado. Será que você também não tem alguma peça de fast fashion, novinha ainda com a etiqueta, aí no seu guarda-roupa?

“É uma moda que dura pouco, principalmente na vitrine. A loja se abastece de novidades semanalmente. Trabalham com estoque pequeno e muita diversidade de modelos, criando a sensação de que você precisa comprar a roupa já, porque ela vai acabar. E acaba mesmo.” Enrico Cietta, economista italiano, autor do livro ”a revolução do fast fashion”

Uma moda feita para não sobreviver, para banalizar. Em um pequeno espaço de tempo, um abastecimento de novidades e escalonada de cima para baixo, ou seja, reprodução de grandes marcas. Roupa sem um contexto.

o-consumismo-te-consome1
Mas a moda já nos ensinou que é um movimento que vem das ruas, não o contrário.

E nesta onda cresce o slow fashion, sinônimo de escolhas conscientes, avessa aos excessos. Este novo conceito surge como um alento para quem já tem uma percepção diferenciada de comportamento, uma nova mentalidade e cria uma perspectiva positiva em relação ao futuro. O significado é o contrário do que praticamos, ou seja, diminuir o consumo, evitar demasias, desacelerar o ritmo.

A intenção é fazer melhores escolhas! Ter um ponto de vista diferenciado sob a indústria da moda; onde a integridade do meio ambiente esteja garantida, onde se construa uma relação mais justa com a parcela que executa a produção, onde se possa ter um olhar para o “local”, e onde se possa ter a geração de novas alternativas de consumo.

O objetivo é transmutar o raciocínio, despertar a consciência para o novo. Ter o conhecimento dos impactos negativos que o consumismo gera para o planeta. Ter a percepção, de que, quem compra também tem responsabilidade por aquilo que consome. Ter um consumo objetivo e reduzido.

Impossível? Com certeza não!

Existem profissionais criativos que acreditam nesta nova plataforma e agem de acordo com o slow fashion. Aqui no Brasil e fora dele, há muitos exemplos e nomes de respeito a serem seguidos.

“Buy less, choose well, make it last.” Vivienne Westwood

A inclinação do comportamento coletivo é o de começar a repensar seus atos consumistas; seu compromisso com a origem de um produto, durabilidade e descarte; sua necessidade de possuir o que realmente precisa; e sua capacidade de restaurar algo já utilizado. A partir desse novo raciocínio surge uma nova fonte de pensamentos de uma sociedade que quer fazer algo novo e diferente do que tem sido feito.

images (3)

Parece algo difícil de imaginar, mas pequenos e importantes grupos estão começando a realizar suas criações de um modo sustentável e menos nocivo. Percebendo essas movimentações o mercado terá que se adaptar ao novo. O consumidor é quem vai estabelecer esses novos padrões, a partir do momento que informar-se, reivindicar uma cadeia produtiva socialmente justa e sustentável, e só então partir para a aquisição de um produto. Valorizar o local também faz parte deste contexto, através de uma produção menos acelerada, sem a necessidade de ultrapassar limites, pode-se produzir em menor escala com uma maior durabilidade. Este é o caminho a ser trilhado.

images (2)

Podemos acreditar que num futuro próximo vamos consumir menos e nos conscientizar de que a felicidade não está à venda! E lembrarmos constrangidos do que um dia já causamos contra nós mesmos.

LKV

fotos:reprodução